Por Ana Guerra | 15/10/2019
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"ALINHANDO", NOVA EXPOSIÇÃO NO ABERTO CAMINHO DE ARTES, INAUGURA EM 19 DE OUTUBRO

A nova exposição do espaço cultural Aberto Caminho de Artes traz como temática as linhas como fios condutores e de conexões entre as obras dos artistas convidados para expor. Ao todo, 16 profissionais da arte vão divulgar seus trabalhos, com linguagens diferentes, falando sobre a linha. Os traços vão aparecer em desenhos sobre tela, sobre papel em objetos, na fotografia, no trabalho de colagem, na pintura e na tecelagem.

Conforme a curadora da exposição, Ana Zavadil, a diversidade dos trabalhos evidencia o potencial criativo de cada artista narrando uma história. "Por meio da curadoria, todas essas histórias unidas contam uma história maior. E, com isso, o exercício de liberdade de cada artista é colocado à prova em um mesmo local e, sendo ele pequeno, propicia um confronto direto do espectador com as obras no tempo e no espaço", pontua a historiadora da Arte e professora.

A gestora cultural do Aberto, Marla Trevisan, também explica que, além das conexões entre as obras ocorrerem pelas linhas, outras relações como conceitos, cores, semelhanças e contrastes, também unem os trabalhos. "Os universos entrelaçam-se estruturalmente criando núcleos poéticos. Os trabalhos passaram por um processo de hibridação em que a linha à grafite, ou a linha desenhada pela pintura, mescla-se com as linhas tecidas e tramadas com fios de arame ou linha de costura ou bordado, ou mesmo linhas de tempo construídas com palitos de fósforo ou linhas captadas diretamente da natureza", complementa.

O nome da exposição, "Alinhando", para além do significado de enfileirar e ajustar, está mais para a questão de compor uma ordem visual dentro do espaço expositivo. Para Ana, "a linha desnuda-se em potência em cada obra. E o diálogo entre elas impõe um ritmo à exposição que, longe de ser somente contemplativa, torna-se reveladora e reflexiva", explica.

A mostra conta com o apoio cultural da Associação Chico Lisboa. Ana Zavadil é mestre em História, Teoria e Crítica de Arte pela Universidade Federal de Santa Maria, historiadora da Arte e professora.

SOBRE AS OBRAS E OS ARTISTAS

As abordagens e experimentações dos artistas por meio da linha tramam desenhos em um ir e vir e geram fluxos intermitentes proporcionando uma viagem no tempo e no espaço. A artista Alexandra Eckert (1), por exemplo, apresenta a série Histórias Pequenas, que são uma coleção de livros da artista em tecido serigrafado e bordado sobre diferentes materiais. Esses pequenos livros contam histórias da artista e de sua família e têm como pano de fundo a memória. Já Anete Schröder (2) tem nos seus desenhos a potência criativa da linha, onde cria personagens e afetos. Como ela mesma afirma, suas obras "são emaranhados que formam nós e fluxos. São formas disformes que se entrelaçam e se combinam por meio das linhas e colagens".

Beatriz Harger (3) desenvolve uma pesquisa em fotografia em que busca as linhas na natureza, não importando em que tipo de paisagem elas estão. A escolha recaiu sobre as folhagens cujas linhas evidenciam as formas. Bia Dorfman (4), por sua vez, tem como característica poética desenhar intensamente sobre cadernos. São diários em que os desenhos aparecem em profusão, todos eles feitos em viagens e no dia a dia. A linha constrói cidades, objetos, pessoas, animais e paisagens, pois ela se mostra sempre inquieta identificando percursos nos falando sobre liberdade criativa. Clara Koppe (5) teceu fios sobre objetos formando tramas de fios que falam de cidades e sentimentos. O fio nas suas construções pode representar união e ao mesmo tempo remeter ao distanciamento ou estabelecer um limite.

Denise Wichmann (6) é uma artista das linhas. E elas brotam de muitas fontes, como o desenho e a fotografia. Instigada para esta exposição, a sua colaboração veio na forma de objeto com linhas de arame e colagem. Já Elzi Mezzomo (7) apresenta um trabalho instigante com colagens de palitos de fósforos que representam a sua linha do tempo. A obra inicia com 40 palitos que representam o ano de nascimento. Depois, os demais foram queimados aos poucos e dizem respeito à passagem do tempo. Gelson Soares (8) desconstrói o livro de artista e brinca com a questão da falta de palavras. E o que tem importância é a linha e o desenho: as linhas de algodão que saem pelas páginas contribuem com este diálogo. A mancha faz contraponto em alguns momentos e os espaços vazios trazem pausas para a reflexão. Isa Dóris Teixeira de Macedo (9), que trabalha com arte têxtil há muito tempo, cria, para esta exposição, as linhas como curvas para formarem blocos coloridos. A sensibilidade da artista transmuta-se para suas linhas que falam de sentimentos e da vida. Leonice Araldi (10) cria, em seu trabalho, pequenos mundos que questionam as relações de espaço e de tempo, representando exatamente as suas insuficiências diante do que nos é imposto pelas relações com a cidade.

Liane Borghetti Krenzinger (11) tem um trabalho de desenho e pintura sobre tela. O seu trabalho transborda em informações e materialidades, pois ela constrói e desconstrói as camadas de tinta e, assim, vai marcando o tempo em seu processo criativo cujo mote é a dança, o balé. Lorena Steiner (12) tem um trabalho diversificado: ela elabora pinturas sobre tela, cria objetos, trabalha com texturas e faz trabalhos com materiais descartados. Para esta exposição, no entanto, ela mostra um trabalho de grandes dimensões feito com linhas de algodão cru amarrado e tingido. A sua sensibilidade fala de questões relacionadas à vida e aos sentimentos. Mery Bavia (13) é uma artista da pintura. A intensidade de seu trabalho é demonstrada pelas camadas e pelas cores intensas. A materialidade é importante para ela, assim como a linha que tem o potencial de criar os limites das figuras em contrapontos sutis. Ricardo Fonseca (14) trabalha com o desenho, ora preto e branco, ora colorido, que traz em sua bagagem o ato de despertar no espectador a vontade de entender esses desenhos que parecem revelar, mas não revelam, e, assim, abrem espaço para a construção de sentidos e livres interpretações. Os trabalhos são referenciados em questões pessoais e memória imagética. Tomas Barth (15) busca por meio de seus desenhos questionar a extinção de alguns animais e a de tantos outros em vias de acontecer. O virtuosismo de seus desenhos é uma característica expressiva. São desenhos feitos em jornais que remetem à efemeridade e ao descarte, questões relacionadas entre si. E, por fim, Wischral (16) tem a sua poética voltada para o desenho. E as últimas experiências foram executadas sobre telas. A linha constrói a figura que quer representar pelo acúmulo da grafite intensamente sobreposta até atingir o grau desejado de contraste. Exigente em seu fazer, a perfeição das formas é conquistada passo a passo em um intenso embate entre o artista e o material.

SERVIÇO

O que é: Abertura da exposição "Alinhando";
Quando: No sábado, 19 de outubro, das 11h às 15h, até 30 de novembro; (Entrada franca)

Onde: Rua Doutor Armando Barbedo, 356, bairro Tristeza, Zona Sul de Porto Alegre;

Contatos: abertoartes@gmail.com

(51) 3516 2259

(51) 99930 1911 - Marla Trevisan

Horário de visitação do Aberto:

De terça-feira a sexta-feira, das 13h30 às 18h

Aos sábados, das 11h às 15h.

FOTO: Leonice Araldi