Por Ana Guerra | 22/06/2020
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LIVRO QUE REÚNE OLHARES SOBRE O GUAÍBA AJUDARÁ INSTITUIÇÕES

Um espetáculo feito de horizonte, a dança das águas, estas que desembarcaram os primeiros casais açorianos nessa Porto Alegre, que tem Porto no nome e foi onde tudo começou. Para uns é poesia, lembrança, paz, tranquilidade, contemplação, imensidão, onde se sente a brisa. Para outros é palco, ponto de encontro, caminho de ir e vir, lugar de troca, da subsistência, do desenvolvimento. Ele é um, mas é muitos, tantos quantos os olhares que o observam.

Com o objetivo de reunir, de alguma forma, um pouco dessas perspectivas e a poesia que está por trás de cada uma, a Smart - Arquitetura para a vida Contemporânea lançou um projeto cultural. E o resultado são imagens do rio que banha a capital dos gaúchos, assinadas por profissionais renomados como Achutti, Fabiano Benedetti, Henrique Amaral, Letícia Remião, Nilton Santolin, Raul Krebs, Marcelo Nunes e Ricardo Fabrello, além de 32 fotógrafos - escolhidos através de um concurso - que compõem o livro “Cidade feita de rio”.

No total, mais de 700 fotografias foram inscritas através do site criado especialmente para o projeto ( cidadefeitaderio.com.br ). Entre os selecionados, estavam moradores da capital, do interior, de outros estados e até de outros países. “Gente tão diversa, trazendo imagens tão inspiradoras, que foi necessário convocar um conselho editorial para a seleção”, conta Márcio Carvalho, sócio-fundador da Smart, junto a Ricardo Ruschel.

“Provavelmente pela primeira vez, um livro reúne os olhares de fotógrafos profissionais e amadores sobre o Guaíba. São imagens que vão muito além do pôr do Sol, mostrando a vida que acontece à beira e dentro dele”, diz a jornalista e escritora Cláudia Aragón, autora do projeto editorial e editora de Cidade Feita de Rio.

Parte da primeira edição da obra, que conta com 112 fotos e um registro escrito sobre o olhar do Guaíba de cada fotógrafo, será doada para a Aldeia da Fraternidade (https://aldeiadafraternidade.org.br/ ), que já atendeu mais de 13 mil crianças e adolescentes ao longo dos seus 57 anos. A venda dos 100 livros será transformada em recursos investidos na educação e na assistência das crianças e adolescentes, em vulnerabilidade social, atendidos na instituição. Os demais 200 exemplares desta edição, também serão doados para geração de receita de outras entidades beneficentes que estão sendo analisadas.

“A Smart sempre buscou apoiar projetos ligados a educação e, neste momento tão delicado, é uma forma de ajudar essas crianças que tanto precisam, agora ainda mais. Agradecemos o apoio dos fotógrafos que abraçaram essa ideia junto com a gente”, comenta Carvalho.

As imagens também irão compor uma exposição. Neste primeiro momento, devido a pandemia, será de forma virtual através da plataforma do Instagram @cidadefeitaderio. Além das fotografias o espaço também trará um pouco do que há por traz de cada foto.

Segundo Carvalho, a ideia é mostrar a poesia do Guaíba e sua importância na identidade porto-alegrense: “Nós, como arquitetos, curadores, nos preocupamos com a paisagem da cidade, um legado que deixaremos para as próximas gerações. Acreditamos que, de forma coletiva e colaborativa, podemos incentivar um novo olhar e reforçar que não somos apenas uma cidade de frente para o rio, e, sim, uma cidade feita de rio. Esse rio que é a nossa gênese, o nosso território e a nossa utopia”, comenta.

Para adquirir o livro é necessário fazer uma doação para a Aldeia da Fraternidade através do link www.aldeiadafraternidade.org.br/livrocidadefeitaderio 

“A ideia da Smart em fazer um livro sobre a interação da cidade com seu rio é sensacional. Porto Alegre nunca valorizou adequadamente o seu rio, como fazem muitas cidades do mundo, situadas à beira de rios. E é incrível também a iniciativa de vender esses lindos livros com renda para a Aldeia da Fraternidade, que educa, alimenta e desenvolve crianças da zona sul de Porto Alegre”, reforça Alfredo Fedrizzi, presidente da Aldeia da Fraternidade.

O projeto Cidade Feita de Rio conta com o apoio da Unisinos.

FOTO: Letícia Remião