Por Ana Guerra | 12/12/2019
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PATRÍCIA BERTON AUTOGRAFA DUAS OBRAS EM 16 DE DEZEMBRO

O cotidiano, sórdido com toda sua pequenez, suas demandas inatingíveis, suas raivas passageiras, as iluminações geniais que caem no vazio, o vinho, o cigarro, as crianças, as interrupções, viagens, desemprego, medo, tédio, é o contexto no qual se encontram os dois livros de Patrícia Berton: Sozinha é o dobro e Juro que não vou gritar. A vida não é uma foto feliz no Facebook. Pelo contrário, a vida é lavar a louça, reclamar aos filhos, lavar banheiros, ser demitida em looping, despir-se de todas as convicções juvenis do que seria a vida quando nos tornássemos adultas. As obras terão lançamento e sessão de autógrafos na próxima segunda-feira, 16 de dezembro, às 18h, PocketStore Livraria (Rua Félix da Cunha, 1167 – Moinhos de Vento – Porto Alegre/RS)

Uma força latente em Sozinha é o dobro é a mãe. Ela está lá para criticar constantemente, desde a adolescência, e dizer que tudo estava errado, da roupa ao jeito de ser. A mãe também é a responsável pelos dogmas sobre o papel da mulher: tem que fazer um bom casamento, não pode se separar, é a mulher que cuida dos filhos, cuide sempre da sua aparência. É a mãe que, num telefonema, expõe um dos maiores e mais chocantes segredos de família: um casamento sem amor ou companheirismo é melhor do que uma separação.

Em Juro que não vou gritar, a filha se torna mãe e continua a carregar a adolescente que foi, namorados e maridos se confundem, e mesmo que as paisagens se modifiquem, entre o Sul, a metrópole e o estrangeiro, o lugar interior permanece, a angústia persiste no passar da década.

Se para Virgínia Woolf a criação literária feminina pressupõe um quarto isolado, apartado desses barulhos, com uma renda fixa mensal, que cuidaria da sobrevivência da autora, nas duas obras de Patrícia Berton esse quarto ideal e essa criação artística apartada da realidade são implodidos. Patrícia Berton escreve naquele lugar mediano, dos dias cinzas, do tédio, da aparente banalidade. Anotar parece a saída, em “bilhetes amarelos, laranjas e rosas espalhados pelo carro, na agenda, grudados no computador para não desperdiçar as ideias”. Anotar acasos, enganos, lembranças, dores e desejos.

Patrícia Berton é nasceu em Porto Alegre, em 1971. É graduada em jornalismo pela PUC-RS. Mudou-se para São Paulo em 1995, onde mora com seus dois filhos. Trabalhou em inúmeras redações – Folha de S. Paulo, Gazeta Mercantil, SBT, UOL, Rede Globo, Editora Abril, Editora Globo. Sozinha é o dobro e Juro que não vou gritar são seus primeiros livros.

O QUÊ: lançamento e sessão de autógrafos dos livros Sozinha é o dobro (prosa, 290 páginas) e Juro que não vou gritar (poesia, 132 páginas), de Patrícia Berton, ambos publicados pela Alameda Casa Editorial.

QUANDO: segunda-feira, 16 de dezembro, às 18h

QUANTO: R$ 50 e R$ 40

ONDE: PocketStore Livraria (Rua Félix da Cunha, 1167 – Moinhos de Vento – Porto Alegre/RS)